Durante a manifestação, funcionários da empresa terceirizada GOCIL e também seguranças da CPTM, tentaram impedir o trabalho de jornalistas de gravar e ouvir os ambulantes.

Foto: Diário dos Trilhos

Um grupo de cerca de cem vendedores ambulantes realizaram na tarde desta quarta-feira (05) uma manifestação na estação Luz, Linha 11-Coral da CPTM. O grupo inicialmente fechou a via por alguns minutos e depois seguiram a protestar na plataforma da estação, e foi quando um contingente de seguranças terceirizados, Policiais Ferroviários e a Polícia Militar cercaram os ambulantes. A equipe do Diário da CPTM esteve no local para acompanhar a ação e ouvir os vendedores e a companhia no local, entretanto apenas os vendedores falam, com funcionários da companhia procurando por duas vezes impedir o trabalho da imprensa.

O motivo do protesto segundo os comerciantes do trem, é a maneira que a Empresa Comando G8, responsável pela segurança e vigilância das estações e trens da Linha 11-Coral, vem desde o dia em que começou seus trabalhos (1º de fevereiro de 2020) com segundo eles, maior violência e agressões, além de ameaças. A empresa em questão atua na linha com contrato de 30 meses recebendo o valor de R$ 101,2 milhões pelo período.

Durante a primeira parte do protesto, a linha chegou a ser fechada por alguns minutos, veja abaixo:

Momento em que os vendedores protestavam na via. Vídeo: Reprodução de redes sociais



A Polícia Militar e reforço na segurança da estação por parte de Seguranças da CPTM (PFs) e Seguranças terceirizados da GOCIL, foram enviados ao local.

Logo após a nossa chegada, um funcionário da empresa GOCIL sem uniforme, veio insistentemente dizer, inclusive no começo sem permitir que eu explicasse o que a imprensa faz e seu trabalho, me ameaçou de ser conduzido para a delegacia por “fazer parte da ocorrência” e estar filmando sem a autorização dele.

Mesmo após explicar que de acordo com o Gerente de Relacionamento da CPTM, Sérgio Carvalho disse em entrevista a TV Globo no dia 06 de novembro de 2018, em um episódio onde a equipe foi agredida, que “Não há nenhuma orientação da CPTM para restringir o acesso não só da Rede Globo como qualquer outro veículo que queira fazer uma matéria dentro da CPTM”.

Para a surpresa, um funcionário da CPTM sem uniforme, portando escudo e cassetete disse que eu não tinha a autorização para permanecer no local e que eu deveria chamar “tal funcionário para acompanhar o meu trabalho”.

Muitos seguranças permaneceram na estação durante a tarde. Foto: Diário dos Trilhos


Mesmo com essas dificuldades, procuramos ouvir os dois lados tanto a CPTM que se manifestou por nota abaixo, como os vendedores ambulantes que deram sua versão dos acontecimentos:

“Essas pessoas [guardas terceirizados] ai agridem a gente, os a paisana [guardas da CPTM] já deram coronhadas [com arma de fogo] na minha cabeça para tomar os chocolates que eu vendo. Se voce precisa vender uma água é humilhado igual ladrão, mas os ladrões de celular aqui [na estação da Luz] todos os dias, eles não pegam.” disse Donizete

“A empresa [Comando G8] não está respeitando a agente, eles estão agredindo e tomando nossa mercadoria. os a paisana não reprime a gente, da forma que estes funcionários da empresa está reprimindo a gente, com violência. Os funcionários da CPTM tem educação para “rodar” a gente.”

“Nós só queremos trabalhar, podem fazer um acordo, dar um alvará ou permissão para trabalhar certinho” disse outro vendedor.

“Estamos em busca de um único objetivo é trabalhar e não ser agredido e oprimido dentro do trem”. disse Maurício, vendedor na CPTM

A CPTM se manifestou sobre o caso, pela nota abaixo:

“Nesta quarta-feira (5/02), por volta das 14h40, um grupo de vendedores ambulantes invadiu as vias da Linha 11-Coral, na Estação da Luz, em protesto contra as ações de combate ao comércio irregular adotas pela CPTM.
 A Polícia Militar e a equipe de Segurança da Companhia negociaram com os manifestantes, que liberaram as vias. A ocupação durou cerca de seis minutos e apenas um trem não concluiu viagem até a Luz, desembarcando na Estação Brás. Os passageiros com destino à Luz foram orientados a seguir viagem pela Linha 7-Rubi, ou aguardar o trem seguinte pois a operação já estava em processo de normalização.
 A CPTM repudia esse tipo de manifestação, que fere os direitos de ir e vir dos passageiros, interrompendo a operação dos trens. A Companhia não se intimidará e continuará combatendo o comércio irregular em suas dependências.”


Até  o presente momento tanto a GOCIL como a CPTM não se pronunciaram sobre as tentativas de cercear a liberdade de imprensa.

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