Projetado como novidade e inovação no país, hoje está abandonado, sem atender a população e com histórico de incidentes.

Por Willian Moreira

Imagem do único trem que atualmente está no monotrilho. Tecnologia 100% nacional no projeto dos anos 80. Foto: Diário dos Trilhos

Diferente do que se imagina, São Paulo não é a única cidade do país a contar com um sistema de transporte em forma de Monotrilho. Em Poços de Caldas, cidade do interior de Minas na divisa com o estado de São Paulo, tem o primeiro monotrilho do Brasil, com método de operação, construção e atendimento, parecidos com o da Linha 15-Prata do Metrô, mas claro em conceitos mais antigos e de menor porte em suas construções.

O monotrilho de poços de caldas surgiu de um contrato assinado entre a Prefeitura e a empresa, J. Ferreira LTDA que deveria custear toda a obra e explorar o serviço por 50 anos, quando a administração do serviço seria devolvida para a cidade. O projeto inicial era de um sistema com duas vias, um preço equivalente ao dos ônibus coletivos, para gerar uma concorrência justa e a extensão de 28 km, passando por pontos turísticos, na região industrial e centro da cidade. O trem era construído com tecnologia 100% nacional e as estações como na época não se tinha a atenção e cuidado com a acessibilidade que existe atualmente, eram estações a cerca de 6/7 metros de altura, com uma escada em cada ponta da plataforma para entrada e saída, sem elevadores, sinalização de piso tátil ou escadas rolantes.

A ideia principal deixar a cidade que já era um ponto turístico conhecido em Minas “mais famosa”, com o novo meio de transporte, até então inédito no país. E assim, no ano de 1981 as construções começaram no trecho entre o centro da cidade e a rodoviária, cerca de 6 km. No ano de 1989 as obras paralisaram e um ano depois, em 1990 após medidas da gestão municipal para determinar o que fazer com a obra, um teste da operação foi realizado e uma falha ocorreu, encerrando as avaliações e deixando o modal parado por mais um tempo.

A obra nunca foi concluída como no projeto inicial. Foto: Diário do Transporte

A inauguração oficial aconteceu somente dez anos depois, em 25 de Setembro de 2000 com uma viagem entre o terminal de ônibus central e a rodoviária, o único trecho construído e apenas com uma única via, impossibilitando que mais de um trem operasse ao mesmo tempo.  Durante a viagem, uma falha faz o trem perder uma das rodas e descarrilar, ficando preso a estrutura de concreto do monotrilho. Ao todo 19 pessoas participavam da viagem, sendo 14 adultos e 5 crianças que precisaram esperar por cerca de uma hora até o resgate, que segundo  os Bombeiros era difícil por ser uma estrutura suspensa e não existir saídas de emergência. Diante do fracasso e perigo apresentado o monotrilho interrompe a operação, ficando fechado até os dias atuais.

Em 2003 um pilar da estrutura de concreto cedeu com o assoreamento do rio ao lado e desabou. Cinquenta metros das vias suspensas foram destruídas e nunca recuperadas. Dois anos depois um laudo pericial apontou a culpabilidade da Prefeitura pelo acidente, resultado de uma obra no rio logo ao lado de uma das colunas. No ano de 2015 as estações que eram abertas, se tornaram abrigo de moradores de rua, obrigando a administração publica a colocar grades nos acessos e levar os moradores para centros de acolhimento.

Com a ação do tempo a ferrugem, mato alto e deterioração das vigas de concreto, geraram um abaixado assinado pela população que pedia a demolição de todo o monotrilho, alegando risco à segurança de todos. Na mesma época um processo de arborização no entorno de toda a construção foi realizado, inclusive com o plantio de arvores e mudas em volta e entre os pilares de sustentação do transporte. Com o crescimento das mudas, hoje muito verde tenta esconder o que um dia foi o inovador meio de locomoção.

Mato alto e arvores plantadas, escondem parte da estrutura. Foto: Diário dos Trilhos

Em entrevista ao G1 de Minas, o Prefeito de Poços de Caldas, Sérgio Antonio Carvalho de Azevedo (PSDB), contou a intenção de colocar o monotrilho em operação em breve, descartando a demolição. A empresa dona, neste começo de 2019 desistiu da operação e entregou a administração do prefeito todo o empreendimento e um laudo das condições foi pedido pela prefeitura com a expectativa de viabilizar o funcionamento.

“Para a engenharia, não tem nada impossível. O que tem é se é viável ou não financeiramente, porque pode ser tão caro que não compensa. Mas eu acho que não é o caso. Eu acho que ali, hoje, a gente consegue alguma técnica para realmente botar para funcionar com rapidez e com o menor custo possível”, completou Sérgio na entrevista.

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