Encontro foi transmitido ao vivo na manhã desta quarta-feira (14).
Publicado: 14/08/2024 às 20h15
O segundo debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo aconteceu nesta quarta-feira (14), na capital paulista, fruto de uma realização do Portal Terra, FAAP e Jornal Estadão.
Os seis principais candidatos: Ricardo Nunes (MDB), Pablo Marçal (PRTB), Tabata Amaral (PSB), José Luiz Datena (PSDB), Marina Helena (NOVO) e Guilherme Boulos (PSOL), foram convidados e apresentaram propostas e realizaram perguntas uns para os outros.
No primeiro bloco, o tema abordado foi educação, com uma troca de perguntas e respostas em sistema de duplas, com Nunes x Helena, Tabata x Marçal e Boulos x Datena.
Na volta do intervalo, deu início ao segundo bloco, questões sobre economia foram debatidas após sorteio deste assunto pela apresentadora, com todos os candidatos tratando disto.
Já no terceiro bloco, o tema principal foi planejamento urbano, com a primeira pergunta direcionada aos candidatos Pablo Marçal e José Luiz Datena, sendo a tarifa zero no transporte público.
Marçal começou falando sobre o valor atual da tarifa.
“A tarifa está congelada já há alguns anos, em 4,40 é isso, e esse é um problema na cidade hoje, porque a coisa mais inteligente para resolver isso é a gente capitalizar o empreendedorismo.”
Já Datena afirmou não ser contra a tarifa zero, mas da forma que ela existe ser uma enganação pois a frota em operação é menor nos dias de gratuidade e existir a presença do crime organizado nas empresas de ônibus. Leia a seguir o que disse o candidato no seu tempo de fala:
”Olha, eu não sou contra a tarifa zero, eu acho que ela é bem mentirosa da realidade, porque o subsídio que a prefeitura dá a essas empresas de ônibus é um verdadeiro absurdo, são cinco bilhões e vai passar para oito bilhões se o Ricardo for reeleito, tomara que não seja, porque a gente está aqui disputando com ele, essa tarifa é mentirosa. O cara para pegar um ônibus em São Paulo deveria receber no mínimo 10 e 60. A companhia devia pagar para ele. Essas companhias são sempre as mesmas. Não só as envolvidas com o crime organizado, mas são três famílias que dominam o transporte coletivo de São Paulo durante quase 60 anos. É porque o negócio dá dinheiro. Se você cobrar um preço justo, tarifa justa, você ganha muito dinheiro com isso. Bom, teve companhia de ônibus que virou companhia de aviação. É só o Constantino dizer. Entendeu? Então os caras já ganham muito dinheiro, não precisa ter tanto subsídio assim para manter uma tarifa justa. E a tarifa zero, sempre me fala de tarifa zero. Rondam apenas 40% da frota do domingo ou do sábado ou do feriado. O que justifica essa tarifa zero? Zero. Se metade da frota, mais da metade estão parados. Pode ter até tarifa zero com tarifa justa. Não sou contra a tarifa zero. O que eu digo é que essa tarifa zero está sendo vendida aí, ela é muito cara e de zero não tem nada.”
Em seguida, Pablo Marçal perguntou a Datena como ele resolveria este problema por ele dito.
”Olha, primeiro é você polarizar definitivamente os processos de licitação, que aliás não são só sobre o transporte coletivo. Duas empresas de ônibus infiltradas pelo PCC, com indícios de infiltradas pelo PCC, isso dito por Força Tarefa e Polícia, e por Ministério Público, e não por mim. Primeiro que essas licitações têm que ser passadas ali, imediatamente continuar, definitivamente provas dessas duas empresas têm que ser licitadas e eliminadas imediatamente do transporte público de São Paulo. E as outras empresas que já ganham muito, precisam ser revistos nos contratos, se na realidade esses contratos são inconcluídos, são licitações corretas ou não. Mesmo sendo, ainda são onerosas. Você fazendo licitações justas, com todo mundo ganhando, com certeza vai ter menos roubalheira e o povo vai pagar um preço justo e poder andar de ônibus de graça, sábado e domingo também”, disse o candidato Datena.
Por fim do uso de seu tempo de fala, Marçal reafirmou revisar os contratos das empresas de ônibus e mencionou trazer novas iniciativas de transportes como o hidroviário no Rio Pinheiros e os teleféricos, além de novas regras no trânsito, como a permissão da conversão a direita em semáforos na cor vermelha, algo já aplicado nos Estados Unidos.
“Chamado Pacta Santa Servanda, que é os pactos que precisam ser cumpridos e preservados. Espere que a prefeitura de São Paulo, a partir de 2025, vai cumprir os acordos, mas vai revisar todos. Quem tiver desacordo, vai ter que reajustar. Quem não conseguir, vai perder o contrato com a prefeitura. Já fique sabendo.
Uma empresa privada provou aqui da Marginal Pinheiros que tem como a gente colocar um transporte já no Pinheiros. E por que a prefeitura ainda não colocou? Eu pergunto. Porque a gente fica o tempo inteiro focado em um tipo de transporte que já tem décadas que funciona, sendo que a gente pode colocar agora o que tem em Medelim, tem em La Paz, tem em Balneário Camboriú. Não está funcionando ali no Alemão, no Rio de Janeiro, mas também tem que são os teleféricos. O trânsito de São Paulo é um trânsito perigoso. Nós vamos colocar isso, nós vamos criar esse cinturão principalmente para resolver e abençoar as comunidades. Então ficar focado só nessa tarifa, onde a gente está dedicando muitos bilhões, eu acredito que tem realmente algo por trás muito errado. E eu quero não só investigar isso como prefeito, mas dar a oportunidade de quem tem esses contratos de se explicar. Se não conseguirem passar nessa revisão, eles vão perder esses contratos.
Vamos criar uma via expressa nas marginais, controlado por câmeras, como é na Europa. Vamos fazer o giro de quadra. O sinal vermelho, como é nos Estados Unidos, você pode parar, se tiver passado ninguém, você pode furar esse sinal. Isso existe em outros lugares e funciona.”
Depois Ricardo Nunes no mesmo bloco, foi questionado sobre a eletrificação da frota, ou seja, a troca de veículos movidos a diesel por elétricos que são zero poluentes. O atual prefeito e candidato à reeleição disse que existem seis bilhões de empréstimo aprovados para a compra destes novos ônibus, mas que o atraso na meta é culpa da indústria que não tem capacidade ainda de atender a demanda e a nova infraestrutura.
“Esse tema é super importante, a gente está fazendo, tem vários pré-candidatos aí que querem invadir, inclusive, esse avanço da nossa administração, são cinco, nós temos seis bilhões de reais aprovados para poder fazer a substituição da frota. São dois bilhões e meio do BID, são dois bilhões e meio do BNDES e um bilhão do Banco do Brasil. E, mudando os ônibus, a gente vai melhorar a questão do meio ambiente, melhorar a qualidade do ar e ainda ter uma questão de saúde financeira nesse processo. Então, esse processo está caminhando, que a gente não vai conseguir trocar porque a indústria ainda não tem capacidade de fazer a produção necessária, mas os recursos já estão disponibilizados, está na mesa do ministro da Fazenda para dar o último despacho, já foi passado por todas as etapas, e faltar a questão da infraestrutura junto com a INU, que nos cobrou 1,6 bilhões para fazer infraestrutura nas garagens, nós estamos mudando para fazer infraestrutura nos terminais, então é uma política pública que vai ser implementada, já está sendo implementada.”
Ainda no mesmo tema, Tábata Amaral disse que irá trabalhar para aumentar a capacidade energética e em 2028 rever o contrato com a ENEL.
“O que eu farei é, combatendo a corrupção com o planejamento, entregar o que Ricardo Nunes não teve a capacidade de fazer. Ele, quando herdou a prefeitura, caiu no colo, teve a ousadia de alterar para baixo, simplificar as metas que o Bruno Covas havia estabelecido, e ainda assim não conseguiu cumprir metade das metas. O que eu farei é entender que hoje a gente não tem infraestrutura de energia elétrica para eletrificar a nossa frota de ônibus. Então vou trabalhar com o governo do Estado, com o governo federal, com as agências reguladoras para que em 2028, quando a gente for rever o contrato da Enel, a gente possa fazer melhor pela cidade.”
No quarto bloco foi abordado o tema segurança pública, com Guilherme Boulos falando sobre a presença da criminalidade no transporte público, destacando revisar os contratos de concessão.
“Primeiro, você precisa ter um prefeito honesto. O próprio promotor do Ministério Público disse que bastava para o prefeito dar um hooligan para saber o histórico das empresas. Não foi feito. O que eu vou fazer é passar limpo os contratos de transporte na cidade de São Paulo para que não tenha nem atuação do crime organizado e nem prejuízo para a população porque nós temos uma coisa que é impressionante. O que a gente tem hoje é que os subsídios aumentaram, praticamente dobraram, passando de 6 bilhões esse ano, que é o que a prefeitura paga para as empresas e, ao mesmo tempo, a frota disponível diminuiu. Quem está pagando essa conta é a população que precisa dar ponto. Por isso, eu vou passar limpo, com muita transparência, os contratos públicos da cidade de São Paulo.”
No mesmo tema, Tabata afirmou que Nunes entregou o serviço do Aquatico SP para empresas investigadas e que o atual prefeito teria cometido crime.
“Com denúncias graves como essa, a gente enfrenta com coragem e independência. Então, o que eu não farei é fazer o que o Nunes fez, que foi gravar um vídeo de elogio a UPBus, pós-denúncia mostrando o envolvimento da empresa com crime organizado, que foi tentar forçar-se a entregar o hidroviário da Represa Billings para uma outra empresa denunciada, que é a TransWolff. Os órgãos de controle precisam trabalhar com independência. A prefeitura tem que saber coordenar, atuar junto com o governo do Estado, com a Polícia Militar, com a Polícia Civil. Mas prefeito, o que comete crime não combate crime.”
Ainda sim com o transporte vindo a ser abordado, o segundo encontro entre os seis políticos mais uma vez foi marcado por um nível baixo onde todos, se atacaram de algum momento, deixando de lado temas realmente importantes para a população.
O debate completo transmitido pela internet no canal do Terra Brasil pelo Youtube, pode ser assistido nos dois cards logo abaixo.
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