Relatório publicado pelo órgão analisou as causas do estouro de pneu de um dos trens que provocou a paralisação total do monotrilho por mais de três meses no ano passado.

Publicado: 06/10/2021

Mensagens como essa e avisos aos passageiros eram comuns. Foto: Diário dos Trilhos

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) divulgou nesta terça-feira, 5 de outubro de 2021, um relatório a respeito do acidente em que o estouro de um pneu em um dos trens do monotrilho da Linha 15-Prata, provocou a paralisação de todo o sistema no ano passado por mais de 90 dias.

O inquérito acabou por apontar as empresas envolvidas na fabricação dos trens, construção da linha nas obras civis e o consórcio responsável, como culpados pelo caso, mas também disse que situações como a registrada no ano passado podem voltar a acontecer caso medidas não sejam tomadas.

Isto porque a folga entre os pneus e a superfície de atrito (as colunas de concreto onde o monotrilho se apóia) são menores que o ideal e isto provoca um desgaste precoce dos equipamentos que tem uma vida útil bem menor. Isto em caso de estouros pode causar a queda de peças na avenida ou calçada, podendo resultar em acidentes ou até a morte de pessoas atingidas em solo.

“Na visão deste Núcleo de Engenharia do CAEx, a folga é mínima, pois devido a flexibilidade do pneu e variações de altura/carga dinâmica que o flanco sofre ao longo do movimento regular, haverá constante contato do dispositivo run flat com a superfície interna do pneu, o que provocará desgaste interno prematuro e possível ruptura de ambos (pneu e run flat). Isto posto, infere-se que durante a operação comercial normal, o tempo e o atrito entre o dispositivo run flat e a carcaça interna do pneu, que deveria ter duração mínima de tempo, somente em situações excepcionais de perda de pressão interna (murchamento), torna-se rotineira e habitual, com riscos de superaquecimento, rupturas, projeção e queda de elementos, como o ocorrido em 27/02/2020. Salientamos que devido à altura média de 15 metros e ação da gravidade, até mesmo os elementos de baixa massa que caiam do sistema podem alcançar forças de impacto mortais ao atingir pessoas ou animais no solo”, cita parte do documento.

O MP aponta também que o Metrô destacou em seu CT. GEM 424 de 17/04/2020, divulgado dois meses após a linha ter sido paralisada, que testes com equipes do Consórcio CEML constataram problemas no processo de fabricação dos trens como:

– Diâmetro interno do conjunto do run flat maior do que o especificado no próprio desenho as-built fornecido pelo Consórcio CEML;

– Pinos de montagem dos segmentos de run flat com comprimento maior que o padrão, em conjunto de pneu de carga-roda originalmente montado pela própria Hutchinson, subfornecedor da consorciada Bombardier;

– Moeda de dólar “a quarter” encontrada dentro de um conjunto de pneu de carga-roda originalmente montado pela própria Hutchinson;

– Presença de graxa no run flat de conjunto de roda que nunca rodou (oriundo de truque novo) onde “não deveria haver segundo a própria análise dos técnicos estrangeiros da Hutchinson”;

– Presença de duas graxas diferentes (branca e vermelha) num conjunto de roda montado pela própria Hutchinson;

– Travas de talão (beadlocks) com valores de circunferências, larguras e ângulos diferentes;

– Segmento de run flat com paredes de furos de alojamento de pinos de espessuras menores;

– Fundição aparente incompleta de material em região próxima de furo de alojamento de segmentos de run flat.

Diante dos problemas relatados, o Ministério Público concluiu em seu relatório, que existiam problemas de projeto e execução das obras de construção e na fabricação dos trens existiam, uma combinação de fatores que resultou no caso com o trem de prefixo M20 no ano passado, atribuindo as responsabilidades aos responsáveis pelo empreendimento.

“Conclui-se que a Linha 15 – Prata possuía problemas de projeto e execução nas obras civis que levaram a irregularidades na via-guia, bem como, problemas de projeto e fabricação e montagem dos trens e seus componentes, resultando em interferência entre o run flat e superfície interna da banda de rodagem dos pneus, sendo a combinação destes dois fatores a causa do estouro do pneu da composição M20. Como o fornecimento do material rodante e da infraestrutura civil estava contratualmente a cargo do CEML – Consórcio Expresso Monotrilho Leste, constituído pelas empresas: Construtora Queiroz Galvão S/A (líder do Consórcio), Construtora OAS Ltda., Bombardier Transit Corporation e Bombardier Transportation Brasil Ltda., entende-se serem estas as responsáveis pelas irregularidades encontradas no Sistema Monotrilho.”

Em nota, o Metrô de São Paulo disse que as informações do relatório vão de encontro as apontadas pela companhia na sua investigação e que o Consórcio CEML foi multado.

Leia abaixo a nota na íntegra:

“A conclusão do Ministério Público de que o Consórcio CEML é o responsável pelas inconformidades que levaram aos danos nos pneus de um dos trens da Linha 15, e posterior substituição das peças de outras composições, vai ao encontro do que foi constatado pelo Metrô à época, que inclusive multou essa empresa pelas falhas encontradas.”


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